Quebrou? Conserte!

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file.php Morei durante a minha adolescência em um bairro de São Paulo que é conhecido por ser um reduto de muitas famílias alemãs, polonesas e suíças e sempre vi meus vizinhos consertando tudo: roupas, utensílios de casa, cercas, carros, tudo mesmo! O meu pai dizia bem resumidamente pra gente que era porque eles já tinham sofrido na pele uma guerra e por isso valorizavam as coisas, as mantendo em bom estado e não desperdiçavam nada mesmo sabendo os tempos duros tinham ficado para trás.

Lembro uma vez que um deles tocou a campainha da minha casa oferecendo, ou melhor, doando várias coisas pois iriam voltar para a Alemanha. Os brinquedos da filha do meu vizinho, que na época já era adulta, foram um capítulo a parte na minha vida (sim eu tinha uns 13 anos e brincava de boneca….velhos tempos…). Tudo estava em tão perfeito estado que fiquei encantada: o bercinho de madeira para boneca tinha um desenho nitidamente feito a mão por algum vovô da Baviera, as bonequinhas de cara de porcelana e com roupinhas feitas a mão eram velhas mas estavam novinhas, os jogos de tabuleiro que já tinham mais de 40 anos pareciam intocados quando ganhei. Fiquei fascinada por perceber objetos tão antigos mas tão bem conservados e eventualmente consertados, sim! e mais que isso, dava pra sentir o cheiro e a emoção de peças que tem história.

Isso pra dizer que a gente tem que pensar que reciclar é uma coisa e que consertar e conservar o que temos vai além de descartar o ‘lixo’ da forma correta naqueles famosos tambores coloridinhos, está ligado a conceitos mais profundos como consumir menos e quando consumir ter realmente a certeza de que não é mais um porta qualquer coisa que vai quebrar na primeira vez que usar, ou uma bobeira da lojinha de 1 real ou pior ainda mais um item que você já tem outros 500 iguais…Daí que já existe um manifesto em prol do conserto das coisas! O primeiro lugar que publicou o Repair Manifest foi o blog Swiss Miss e aqui  eu publico aqui a tradução feita gentilmente pelo blog Livros e Afins.

Manifesto do Conserto:

  1. Faça seus produtos durarem mais: consertar significa dar uma segunda chance aos seus produtos. Não os jogue fora. Consertar não é anti-consumismo: é contra jogar coisas fora desnecessariamente.
  2. Produtos são projetados, logo podem ser consertados: designers de produto: façam seus produtos consertáveis. Consumidores: comprem coisas que possam ser consertadas.
  3. Conserto não é reposição: reposição é jogar fora a parte que estragou. Não consertá-la. Não é disso que estamos falando.
  4. O que não me mata me fortalece: a cada vez que algo é consertado, isso acrescenta a seu potencial, a sua história, a sua beleza inerente.
  5. Consertar é um desafio criativo: fazer consertos é bom para a imaginação. Usar novas técnicas, ferramentas e materiais acrescenta mais do que simplesmente aceitar um beco sem saída.
  6. Consertos sobrevivem à moda: consertar não é estilo ou tendências.
  7. Consertar é descobrir: enquanto você conserta coisas, você descobre fatos incríveis sobre como eles funcionam ou não funcionam.
  8. Conserte, mesmo quando não estivermos em crise: se você acha que este manifesto é por causa da crise, esqueça. Não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade.
  9. Consertar é único: mesmo produtos copiados se tornam únicos quando consertados.
  10. Consertar é independência: não seja dependente da tecnologia. Seja seu mestre. Se algo está quebrado, arrume e faça-o melhor. Se você é um mestre, dê esse poder a outros também.
  11. Você pode consertar tudo: até uma sacola de plástico: mas é melhor ter uma sacola que dure mais e repará-la se for necessário.
    O manifesto termina com: “
  12. Pare de reciclar. Comece a consertar”.

Dica de site: Casinha na Árvore

por Levi Rodrigues

Recentemente descobri o Casinha na Árvore, um site voltado para a educação ambiental de crianças através de atividades criadas com produtos simples e reciclados utilizados no dia a dia.

O pessoal de lá também mantem um blog recheado de brincadeiras muito criativas para fazer com a criançada  quando estiver em parques ou em passeios ao “ar livre”.

Abaixo reproduzo o  post Barquinhos à vela! que de maneira muito simples mostra como é possível desenvolver o senso de direção, vento, física e localização nas crianças com uma simples regata de barquinhos a vela feitos a mão.

Aproveite e não deixe de visitar o Casinha na Árvore e seu  blog!

O bosque da Casinha na Árvore fica em um morrinho, que é um pouco mais alto que as casas que estão a nossa volta. Por aqui, a gente vê as árvores se chacoalharem bastante quando bate o vento, como não tem muita construção, ele sopra mais forte.

Até fiz uma biruta um dia desses, lembram? Era pra conseguir saber da onde ele estava vindo!

Vocês sabem o que é o vento? Ontem durante a aula de geografia, a professora explicou que o vento é um fenômeno meteorológico formado pelo movimento do ar na atmosfera.

Ele é produzido por fenômenos naturais como os movimentos da Terra. Foi ela que me disse que em lugares mais altos, como no topo de montanhas e morros, o vento é mais forte.

Esse fenômeno é muito importante pra gente, porque é ele que vai ajudar a dispersar os poluentes e também pode gerar energia!

Já viram que demais aqueles cataventos gigantes? É a energia eólica, por meio da força do vento, a gente pode produzir energia pra ascender uma lâmpada! Muito legal! E não polui. O vento também é usado para mover os barcos à vela! E aí é que entra nossa experiência!

Pra gente observar a força do ar em movimento e brincar com as suas direções, vamos criar uma regata de barquinhos! Para criar o barquinho, vale usar de tudo e muita imaginação.

Aqui, eu o Toró e a Clarinha criamos desde jangadas com palito de sorvete e vela de folha de árvore até simples barquinhos de jornal. O importante é criar barquinhos que flutuem bem e com uma boa vela! Vamos testar!

A gente tem que entender como funciona o equilíbrio e que material vai deixá-lo mais leve. Só não vale usar barco que vem prontinho! O mais legal é a hora de montar com o que temos por perto! Viram os nossos?

Depois de prontos, a gente vai precisar de uma travessa grande com água, uma bacia, o que a gente tiver pra brincar! O seu barquinho tem que ganhar a competição sem você colocar a mão, certo? Vale soprar, abanar com o papel, com uma folha! Ele não pode tombar, hein? Vamos ver quem constrói um barco bem legal!

Chame seus amigos e boa brincadeira pra todo mundo! Bons ventos!

Sustentabilidade: Grã-Bretanha lança programa para reciclar fraldas descartáveis

vi na BBCBrasil

Essa questão do impacto das fraldas descartáveis no meio ambiente é uma questão que me incomoda muito, principalmente no contexto social.

Digo social porque o ser humano se desenvolveu de maneira nunca vista na história da humanidade nesses últimos 100 anos e uma das principais vantagens da tecnologia que criamos é a facilidade de minimizar o trabalho feito no dia a dia automatizando ou adquirindo produtos ou serviços, que o façam.

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Claro que tudo isso tem seu preço e quem paga é o meio ambiente, mas então o que fazer? Voltar a usar fraldas de pano em vez de fraldas descartáveis, como pede o Greenpeace.

Isso seria  o equivalente a deixar de usar o computador, porque ele consome energia elétrica (mesmo que pouca) mas vi uma solução interessante ao ler uma matéria na BBCBrasil, dizendo que criaram uma forma de reciclar as inúmeras (e mal cheirosas) fraldas que são descartadas no lixo, através de usinas de processamento que utilizariam o metano extraído das fraldas para produzir energia.

Note que esse tipo de idéia (ou tecnologia) dificilmente chegaria ao Brasil, mas pelo menos existe uma solução em algum lugar.

Segue a matéria:

Várias cidades britânicas poderão adotar um esquema para reciclar milhares de toneladas de fraldas descartáveis usadas, transformando-as em produtos que vão de telhas a capacetes para ciclistas.

Metano extraído as fraldas é transformado em gás, usado para a geração de energia.

A primeira usina, em Birmigham, deverá entrar em operações em meados de 2010, e estão em discussão planos para outras instalações do tipo nas cidades de Manchester, Liverpool e Londres até 2014.

A usina de Birmigham, que custa o equivalente a US$ 17 milhões, deverá processar 36 mil toneladas de fraldas descartáveis por ano, de acordo com sua operadora, a empresa canadense Knowaste.

As fraldas contém plásticos, fibras, celulose e polímeros absorventes e, de cada tonelada de fraldas reciclada, podem ser extraídos 400 quilos de celulose e 145 metros cúbicos de gás, segundo a Knowaste.

Os bebês usam em média mais de 3,6 mil fraldas até que aprendem a usar o banheiro. Estima-se que um total de 800 mil toneladas de fraldas por ano – usadas por bebês e pessoas com incontinência – acabam em aterros sanitários na Grã-Bretanha.

Nesses locais, as fraldas podem levar até 500 anos para se decompor, segundo a Knowaste.

A empresa ressalta que os produtos criados a partir da reciclagem são seguros de usar. As fraldas que entrarem na usina serão retalhadas e lavadas. A polpa resultante será tratada quimicamente para que sejam desativados o gel absorvente e para a remoção do plástico.

A Knowaste já abriu usinas semelhantes no Canadá e na Holanda.

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